Inominável

23 de maio de 2017

O que eu sinto por você não tem nome. Ou talvez o que eu sinto fosse melhor descrito como a dor que entrelaça minhas veias e arde, fazendo com que meu coração bata na mesma velocidade que os passos de uma dançarina no carnaval da Sapucaí.

Tudo em mim modifica perante ao meu sentimento. Você me modificou. A intensidade de tudo e a efemeridade de tudo sacudiu todos os meus ossos e me desalinhou por completo. Remontar-me é uma competição contra o tempo em cronometra-se os segundos até que eu me perca novamente da sensatez, que esvazia-se com seus olhos que envergonham qualquer paleta azul que possa existir. Ou com o gosto do seu beijo que me fareja a quilômetros de distância.

Não que faça-se preciso. A única necessidade que eu almejo é a vivacidade traçada por nós.

Textos

Átimo

9 de maio de 2017

Eu queria que várias vidas contivessem dentro da minha. Ou ao menos alguns capítulos a mais de uma juventude que passa voando que quase me perco com o assoprar das velas. Queria poder ser tudo, vivenciar tudo, sem essa pressa que devora desesperadamente trazendo a sensação de que não há tempo suficiente para contemplar cada detalhe que passaria despercebido se não fosse visto com atenção. São infinitos os lugares, bairros, ruas, pessoas, trejeitos, características, perspectivas, sabores, odores e singularidades e uma rapidez constante que apenas um eu elevado a milhões poderia dar conta de tudo. O passar do tempo e o uso dele é uma contagem regressiva para um gran finale que simplifica-se em um maniqueísmo oportuno: é algo desastrosamente ruim ou sensacionalmente bom. E sem segundas chances.

 

Dicas Musica

Trilha sonora de abril

2 de maio de 2017

Que saudade eu estava de fazer trilha sonora do mês! Dessa vez de abril! É impressão minha ou esse ano tá passando muito rápido? Quando eu era mais nova e ouvia essa lenga-lenga achava que era papo de tio, mas sinto que conforme envelheço, os anos passam mais rápido. Digressões a parte, e para variar, abril foi um mês muito eclético… tem música para todos os gostos e momentos. Espero que gostem! Aproveitem!

Textos

5h48m

25 de abril de 2017

A luz vinda do amanhecer vaga suave entre o quarto, ofuscada pela cortina semi-aberta que voa com a brisa vinda das árvores da pequena ruazinha de grandes árvores que chegam até o terceiro andar. O cômodo ocupado por uma cama, prateleiras, um armário e duas pessoas traziam muito mais que um belo raiar do sol. A maciez dos sentimentos contidos naquele interior acetinavam as mazelas dos que ali já sentiram. A exterioriedade de algo tão sublime transcendia o que havia de mais bonito e coloria, como os raios que pintavam o céu, todo o resto.

Textos

Limbo

18 de abril de 2017

Nos seus ombros miúdos faltava-lhe energia e nos seus olhos, brilho. Caminhava numa antropoformização de gente com burro de carga no final da noite, cansado, com sede, faminto e sem propósito. Seu sorriso era exausto e escondia um passado que não gostava de lembrar e envergonhava-se da importância que ele tivera no resto de sua vida solitária. Não era casada, não tinha filhos ou um emprego permanente. Não por opção. O seu nome não era recordado por quase ninguém, mas poderia bem chamar-se Macabéa. De pele opaca, rugas nos olhos e aparência cansada, arrastava-se pelos corredores de uma vida, buscando um sentido que nunca encontraria.

Irrupção

11 de abril de 2017

As doses homeopáticas de amor encurralam-se em uma ruína devastada e que sustenta-se aos trancos e barrancos por dois frágeis pilares em um morro afastado. Enquanto os soldados, verdes, cobertos e ariscos forçam a entrada para se apossar de mais uma relíquia que permanecera praticamente intocada.

Tudo que um dia havia existido desmoronava sem deixar resquícios de existência ou que havia sido motivo de contemplação pelos visitantes que passaram por lá. As que restavam, nos cantos e indefesas, tentavam reencontrar, em meio a poeira da devastação, um pouco de oxigênio para respirar e encher seus pulmões enquanto tomavam espaço e, pacientemente, reconstruíam-se a tempo da próxima marcha subir a colina.

Cobiça

14 de novembro de 2016

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Eu cobiço o meu toque e o meu beijo em teu corpo. Eu cobiço conhecimento de cada pedaço de pele seu, cada pinta escondida em alguma parte que você sequer sabia. Cobiço você por completo.

Cobiço sua mente e possibilidade de entrelaçar seus pensamentos em minhas mãos, como faria com seus cabelos enquanto olho seus olhos invadida por felicidade.

Cobiço o adormecimento dos meus lábios pelo tanto que eu te beijo e por noites viradas regadas a descobertas sobre nós mesmos e a colisão em um só.

Cobiço também a possibilidade de não te idealizar tanto. Que você não fosse o destinatário dos meus textos.

Cobiço a realidade e ela me livrando da quantidade de sonhos que envolvem você como protagonista.

 

 

Textos

Exceção

15 de junho de 2016

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Sempre tive facilidade ao narrar amores quiméricos e quebrados que trazem de brinde consigo um coração esfacelado. Tristezas inflamam em mim – e na maioria das pessoas que optam por escrever e aliviar as dores do que está sentido nas palavras ao invés de sessões e mais sessões deitada num divã e com o bolso quase falido  – vontade de exprimir, aclarar e desembaraçar os nós do que está acontecendo no imo.

Os momentos de felicidade ou degustação de um amor benigno sempre me obrigaram mais a vivência-los do que sair bradando o que eu estou sentindo. Como se no momento que eu o exteriorizasse, esse sentimento fosse se esvaziando e tornando-se concreto – e a graça de sentir, para mim, é o não entendimento dele, a graça de sentir é bagunça que se faz  lá no coração com a mistura do amor com a felicidade, sonho e ansiedade.

Mas resolvi abrir uma exceção porque bem… você é a exceção. Meu coração, até hoje, bate de forma frenética com sua aproximação, o seu beijo ainda desperta em mim a mesma vontade de te ter desde que te idealizei e te quis platonicamente, ainda me arrepio quando seu perfume atiça meu olfato e eu ainda sinto que não te conheço por completo e me fascino com seu tino e sua bondade.

É incrível amar e poder ser amada ainda sabendo todas as falhas, medos e fraquezas. É incrível sentir algo tão intenso e ao mesmo tempo tão sereno que amansa e silencia todos os demônios que costumavam amedrontar em noites silenciosas e chuvosas. É incrível ter você.

Textos

Ambivalente

3 de abril de 2016

Captura de Tela 2016-04-03 às 21.32.32O mais complicado de lidar com sentimentos e pessoas é que para isso não existe uma formula mágica, não existe um único caminho correto, não existe uma ciência que ateste que dois mais são quatro (ou talvez cinco, se você vive na Oceania, em 1984).

E apesar da complicação e do que tudo isso pode levar, acaba sendo, por um outro lado, algo tão excepcional. Porque cada relacionamento é único, específico, ímpar. Algo que você vive e não é substituído por nada nem ninguém. E por mais que existam alguns meios, a felicidade como triunfo não é uma certeza.

Talvez por causa disso amar se torne tão difícil. Porque não é algo que se dê viver com plenitude com colete a prova de balas, num carro blindado e escoltado por três ou mais seguranças. Amar é sorte. Ou você adentra nesse campo minado e é baleado na cara ou se esgueira pelos cantos impune e com algo sublime entre as mãos.

Textos

Ledo

17 de dezembro de 2015

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Te amar é tão inteligível que toda a bagagem de sofrimento causada pelas mentiras e dissimulações alheias desaparecem no momento em que você transparece toda sua felicidade no sorriso mais bonito que eu já vi e me chama de minha.

Eu – contrariando o ceticismo que tento acreditar – realmente creio que todos os caminhos errados que eu cruzei por ai foram só para eu te conhecer. Tudo isso aconteceu só para eu poder valorizar e desfrutar dessa sorte maravilhosa que o acaso trouxe para os meus braços. Um acaso de um metro e oitenta e quatro, com os olhos mais bonitos, o sorriso mais bonito e o abraço mais quente.

Eu te amo. E pronto. Eu te amo e não canso de dizer isso porque você não cansa de dizer também, e eu não canso de ouvir, e nem você. Eu não canso de olhar seus olhos acizentados olhando os meus e nossa boca, nossos corpos se transformando num só (clichê, eu sei (mas como não ser clichê quando se ama e se solta fogos de alegria?)).

Eu quero esses dia, esse mês e toda essa história se acumulando se acumule mais e seja escrita por muito tempo. Que você continue sendo tema dos meus textos, dos meus sorrisos. Que eu continue sendo sua, você continue sendo meu e nós continuemos sendo esse caricatura de romances meio Jane Austen ou sei lá, meio Camões.

Eu sei que quero muita coisa pra gente. Mas o que eu mais quero mesmo é agradecer a vida. Por cruzar a sua com a minha.