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Destaques

Textos

Flor de Lis

30 de novembro de 2017

Eu não consigo lembrar de você sem as minhas incertezas. Do que foi real e do que transformado pelo meu sentir medroso.
Não tenho mais certeza de suas palavras e do seu olhar, da sua voz e da sua doçura, do que foi exposto e das dores que eu escondi por me machucarem demais.
Não me lembro mais de que é te amar sem murchar, de te lembrar sem culpa, desabar e ser acolhida. Ou talvez isso também faz parte do que não existiu e eu inventei? Eu quase não me lembro mais. O nosso passado já é tão passado que centenas de vidas já passaram pela gente, assim como o que acreditávamos e os problemas que vivíamos.
Eu sei que eu não pertenço mais ao seu presente e futuro e você não pertence mais ao meu. Você tá feliz e eu tô… vivendo. No modo automático. Supondo se seus conselhos seriam úteis ou se eu me afastaria de novo com medo de me despedaçar.
Eu sempre te vi como diferente, carregado de uma sensibilidade singular e uma vontade de me fazer feliz que ninguém nunca teve. Sei também da minha capacidade de embelezar o monótono e disso ser uma possível alucinação metafísica de alguém que poderia me ajudar e que não se esconde atrás de um comportamento operante.
A verdade é que a verdade dói demais… às vezes enganá-la pode ser benéfico.

Textos

Fim

1 de novembro de 2017

Eu sinto seu coração bater enquanto você escapa entre meus dedos com um suspiro alto e agudo. Teu corpo desfalece como uma tela branca tomada por pinceladas roxas e avermelhadas, que quase me excitam como o seu lento apagar. O tempo consumiu muitas das coisas, menos o seu último olhar surpreso e indefeso e a sua ingênua tentativa de continuar o seu fim que morreu inacabado.
A sua vida ainda corre entre as memórias de quem você era, esparsas pela frieza e apatia de quem te amava. O que poderia ter te lembrado, hoje descansa entre o livro que você quase terminará e a voz que não ecoou no ouvido de quase ninguém.
Mas a tua presença ainda estará acorrentada por mim e pelo meu amor, íntegro e intenso, junto da maldade tua de maldizer e não corresponder o platônico de minha admiração.
O que poderia ser um nós, acabou, para nós dois, como um fim.
Graças a você.
Vadia.

Inominável

23 de Maio de 2017

O que eu sinto por você não tem nome. Ou talvez o que eu sinto fosse melhor descrito como a dor que entrelaça minhas veias e arde, fazendo com que meu coração bata na mesma velocidade que os passos de uma dançarina no carnaval da Sapucaí.

Tudo em mim modifica perante ao meu sentimento. Você me modificou. A intensidade de tudo e a efemeridade de tudo sacudiu todos os meus ossos e me desalinhou por completo. Remontar-me é uma competição contra o tempo em cronometra-se os segundos até que eu me perca novamente da sensatez, que esvazia-se com seus olhos que envergonham qualquer paleta azul que possa existir. Ou com o gosto do seu beijo que me fareja a quilômetros de distância.

Não que faça-se preciso. A única necessidade que eu almejo é a vivacidade traçada por nós.

Textos

Átimo

9 de Maio de 2017

Eu queria que várias vidas contivessem dentro da minha. Ou ao menos alguns capítulos a mais de uma juventude que passa voando que quase me perco com o assoprar das velas. Queria poder ser tudo, vivenciar tudo, sem essa pressa que devora desesperadamente trazendo a sensação de que não há tempo suficiente para contemplar cada detalhe que passaria despercebido se não fosse visto com atenção. São infinitos os lugares, bairros, ruas, pessoas, trejeitos, características, perspectivas, sabores, odores e singularidades e uma rapidez constante que apenas um eu elevado a milhões poderia dar conta de tudo. O passar do tempo e o uso dele é uma contagem regressiva para um gran finale que simplifica-se em um maniqueísmo oportuno: é algo desastrosamente ruim ou sensacionalmente bom. E sem segundas chances.

 

Dicas Musica

Trilha sonora de abril

2 de Maio de 2017

Que saudade eu estava de fazer trilha sonora do mês! Dessa vez de abril! É impressão minha ou esse ano tá passando muito rápido? Quando eu era mais nova e ouvia essa lenga-lenga achava que era papo de tio, mas sinto que conforme envelheço, os anos passam mais rápido. Digressões a parte, e para variar, abril foi um mês muito eclético… tem música para todos os gostos e momentos. Espero que gostem! Aproveitem!

Textos

5h48m

25 de Abril de 2017

A luz vinda do amanhecer vaga suave entre o quarto, ofuscada pela cortina semi-aberta que voa com a brisa vinda das árvores da pequena ruazinha de grandes árvores que chegam até o terceiro andar. O cômodo ocupado por uma cama, prateleiras, um armário e duas pessoas traziam muito mais que um belo raiar do sol. A maciez dos sentimentos contidos naquele interior acetinavam as mazelas dos que ali já sentiram. A exterioriedade de algo tão sublime transcendia o que havia de mais bonito e coloria, como os raios que pintavam o céu, todo o resto.

Textos

Limbo

18 de Abril de 2017

Nos seus ombros miúdos faltava-lhe energia e nos seus olhos, brilho. Caminhava numa antropoformização de gente com burro de carga no final da noite, cansado, com sede, faminto e sem propósito. Seu sorriso era exausto e escondia um passado que não gostava de lembrar e envergonhava-se da importância que ele tivera no resto de sua vida solitária. Não era casada, não tinha filhos ou um emprego permanente. Não por opção. O seu nome não era recordado por quase ninguém, mas poderia bem chamar-se Macabéa. De pele opaca, rugas nos olhos e aparência cansada, arrastava-se pelos corredores de uma vida, buscando um sentido que nunca encontraria.

Irrupção

11 de Abril de 2017

As doses homeopáticas de amor encurralam-se em uma ruína devastada e que sustenta-se aos trancos e barrancos por dois frágeis pilares em um morro afastado. Enquanto os soldados, verdes, cobertos e ariscos forçam a entrada para se apossar de mais uma relíquia que permanecera praticamente intocada.

Tudo que um dia havia existido desmoronava sem deixar resquícios de existência ou que havia sido motivo de contemplação pelos visitantes que passaram por lá. As que restavam, nos cantos e indefesas, tentavam reencontrar, em meio a poeira da devastação, um pouco de oxigênio para respirar e encher seus pulmões enquanto tomavam espaço e, pacientemente, reconstruíam-se a tempo da próxima marcha subir a colina.

Cobiça

14 de novembro de 2016

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Eu cobiço o meu toque e o meu beijo em teu corpo. Eu cobiço conhecimento de cada pedaço de pele seu, cada pinta escondida em alguma parte que você sequer sabia. Cobiço você por completo.

Cobiço sua mente e possibilidade de entrelaçar seus pensamentos em minhas mãos, como faria com seus cabelos enquanto olho seus olhos invadida por felicidade.

Cobiço o adormecimento dos meus lábios pelo tanto que eu te beijo e por noites viradas regadas a descobertas sobre nós mesmos e a colisão em um só.

Cobiço também a possibilidade de não te idealizar tanto. Que você não fosse o destinatário dos meus textos.

Cobiço a realidade e ela me livrando da quantidade de sonhos que envolvem você como protagonista.

 

 

Textos

Exceção

15 de junho de 2016

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Sempre tive facilidade ao narrar amores quiméricos e quebrados que trazem de brinde consigo um coração esfacelado. Tristezas inflamam em mim – e na maioria das pessoas que optam por escrever e aliviar as dores do que está sentido nas palavras ao invés de sessões e mais sessões deitada num divã e com o bolso quase falido  – vontade de exprimir, aclarar e desembaraçar os nós do que está acontecendo no imo.

Os momentos de felicidade ou degustação de um amor benigno sempre me obrigaram mais a vivência-los do que sair bradando o que eu estou sentindo. Como se no momento que eu o exteriorizasse, esse sentimento fosse se esvaziando e tornando-se concreto – e a graça de sentir, para mim, é o não entendimento dele, a graça de sentir é bagunça que se faz  lá no coração com a mistura do amor com a felicidade, sonho e ansiedade.

Mas resolvi abrir uma exceção porque bem… você é a exceção. Meu coração, até hoje, bate de forma frenética com sua aproximação, o seu beijo ainda desperta em mim a mesma vontade de te ter desde que te idealizei e te quis platonicamente, ainda me arrepio quando seu perfume atiça meu olfato e eu ainda sinto que não te conheço por completo e me fascino com seu tino e sua bondade.

É incrível amar e poder ser amada ainda sabendo todas as falhas, medos e fraquezas. É incrível sentir algo tão intenso e ao mesmo tempo tão sereno que amansa e silencia todos os demônios que costumavam amedrontar em noites silenciosas e chuvosas. É incrível ter você.